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VOCE REPORTER
OPINIÃO

Até que a morte os separe!

Porém a cada dia temos ouvido menos esta afirmação nas cerimônias de casamento reais, até a ficção a tem evitado em seus folhetins

Zilfrank Antero

Zilfrank AnteroPastor da Igreja Assembléia de Deus Cristo Redentor (ADCR), de João Pessoa-PB, uma das maiores igrejas evangélicas da capital do Estado. Palestrante motivacional e formado em teologia. Redes sociais: @zilfrankantero

14/05/2019 15h00Atualizado há 2 semanas
Por: Paraíba 10
Fonte: Zilfrank Antero/Paraíba 10
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Todos nós já ouvimos esta célebre frase, senão em uma cerimônia de casamento em que estivemos presentes, com certeza em algum filme ou novela pela televisão. Esta frase transmite, em última instância, a ideia de que nada pode separar marido e mulher, que nada deve ser motivo suficiente para desfazer a união, a que os dois se propuseram naquele instante, senão a inevitável morte.

Porém a cada dia temos ouvido menos esta afirmação nas cerimônias de casamento reais, até a ficção a tem evitado em seus folhetins. Nos tempos atuais são raros os exemplos de casamentos que sobrevivem até a morte de um dos nubentes. Não vemos mais casamentos duradouros como o de nossos avós. Não podemos dizer nem como o de nossos pais, para alguns mais novos.

Mas antes de falarmos do final, quero refletir sobre o começo, sobre como é que duas vidas tão diferentes, de origens diferentes, com pensamentos diferentes, vindos de criações diferentes, chegam ao ponto de tomarem um decisão tão importante quanto o casamento?

Porque a partir da lógica humana, o casamento é uma insanidade, é a coisa mais louca e o projeto mais improvável que já existiu.

Quando vemos duas pessoas abrindo mão de suas individualidades, de boa parte de suas convicções dos seus projetos pessoais, em função de um sonho muito maior que é o casamento. Nos perguntamos: o que os uniu, e o que os trouxe até a este momento em frente ao altar?

Houve um dia em que os dois se conheceram, trocaram olhares, e nessa troca de olhares houve um interesse mútuo, uma atração, que neste momento se revelou puramente física.

Então se conheceram, e a vontade de estarem juntos aumentou, começaram um namoro, e nesta fase a vontade de se ver, o desejo de estar junto, de ouvir, de sentir, de tocar o outro era algo que preenchia todos os espaços do corpo e da mente do jovem casal. A razão praticamente não existia, e suas emoções dominavam as suas decisões. E um sentimento egoísta de posse do outro, tomava conta das suas mentes.

Nada ao seu redor tinha absolutamente qualquer relevância: os pais, os amigos, as carreiras, os conselhos, tudo isso se tornava secundário. Prevalecia um sentimento misto de possuir e de pertencer, de ter o outro e de ser do o outro, era como certa vez disse Renato Russo: “É um estar-se preso por vontade...”.

Neste ponto um tsunami de desejos já inundou suas vidas. Falar ao telefone, trocar mensagens, encontrarem-se apenas aos finais de semana, não é mais suficiente. Então o desejo se transforma em necessidade, o improvável se torna inadiável e a razão de viver.

A ventade de ter o outro só para si e o sentimento de ser do outro e de mais ninguém. Dá um frio na barriga, mas isso é indescritivelmente maravilhoso.

O nome disto é paixão, um sentimento fantástico, maravilhoso, indescritível que une duas pessoas no início de um namoro. A paixão é a ignição, a fagulha sem a qual um sentimento maior e duradouro não se acenderia. E esse fogo inicial é tão intenso que parece que jamais vai se esgotar, pelo contrário a chama a cada dia torna-se mais forte, mais viva, mais real.Então os dois pensam: eu quero isso para minha vida, mas eu quero isso todos os dias, eu quero isso a todo o instante, eu quero dormir sentindo isso e quero acordar sentindo isso.

O casal então descobre que o que mais desejam nesta vida é viver este sentimento em toda a sua plenitude e intensidade.

Sabemos até aqui o que leva a maioria das pessoas até o altar, mas como eu disse ela foi somente a ignição, a fagulha inicial de uma vida a dois. Para que essa chama jamais se apague, de maneira de resista ao tempo e às dificuldades, como o casamento nossos avós, um casamento para a vida toda, existe um enorme desafio a superar.

Muitos já disseram: casar é fácil, o difícil é ficar casado.

Neste sentido, chegar até o altar é relativamente fácil, os casais são levados a isso por seus sentimentos. Mas o maior desafio é o que vem depois do altar, é se dedicar ao que os manterá unidos nesta caminhada.

A paixão deixa os namorados de certa forma míopes. O casal supervaloriza, superdimensiona as virtudes e as qualidades, e praticamente ignora as falhas e os defeitos do outro.

Porém à medida em que as responsabilidades, as dificuldades e a rotina do casamento entram em cena, aquela paixão avassaladora vai dando lugar ao equilíbrio, a sensatez, a lucidez, os pés, que antes flutuavam, voltam a tocar o chão. Então a visão outrora míope do casal apaixonado, vai dando lugar a uma visão mais clara, mais limpa, mais nítida. E cada um agora carrega com sigo uma lente de aumento. Os olhos em um movimento inverso, abandonam a miopia emocional e passa a agir como uma lupa, fazendo com que pequenos deslizes, pequenas falhas pareçam bem maiores do que realmente são.

Acontece então uma ruptura, um rompimento do equilíbrio e da harmonia que havia entre o casal. A partir daí duas coisas acontecem: de um lado a esposa passa a usar de toda a força do seu ser para mudar o marido, e transformá-lo no homem que ela idealizou. E do outro o marido, por sua vez, transfere para a esposa a imagem que ele tem da própria mãe, e passa a fazer comparações na esperança de que a esposa lhe dê o mesmo tratamento que ele tinha de sua mãe antes de se casar.

Há uma verdade que os casais ignoram ou mesmo desconhecem:

Aquilo que existe em mim e faz parte de mim só pode ser transformado por mim. Aquilo que existe no outro e faz parte do outro só pode ser transformado pelo outro. É uma crença absurda achar podemos mudar a outra pessoa. Ninguém muda ninguém, o que cada um pode e deve fazer é mudar a si mesmo de modo a se adaptar, a se moldar, a se encaixar no outro.

São tantos os desafios de um casamento não é mesmo?

Mas qual é o segredo dos casamentos duradouros, dos relacionamentos que resistem às crises, aos ataques, à rotina, aos desentendimentos, ao tempo?

O Senhor nosso Deus no livro do Genesis capítulo 2, verso 24 disse: “Por isso deixará o homem pai e mãe, e unir-se-á a sua mulher; e serão os dois uma só carne.”. Esta união concebida por Deus é espiritual. Marido e mulher passam a ser reconhecidos e tratados por Deus como uma só pessoa, como uma só carne. Porém, fisicamente continuam sendo duas pessoas distintas, com origens diferentes, princípios diferentes, e diferentes formas de ver o mundo e de enfrentar as adversidades.

Entender e aceitar as diferenças um do outro é o primeiro passo para um casamento duradouro.

A esposa é mulher, e como toda mulher é por natureza sensível, emotiva, frágil, extremamente carente de carinho e atenção, de proteção, tem necessidade de ser ouvida e compreendida. A esposa quer ser amada pelo marido, quer se sentir especial, quer se sentir desejada, quer ser ouvida, quer ser compreendida, quer ser protegida, quer ser cuidada e ela exige exclusividade. Ela quer que todas as atenções do esposo estejam voltadas para ela, quer que seus olhos, ainda que vejam outras mulheres, jamais enxerguem alguém além dela. A Esposa espera do marido algo chamado lealdade. Lealdade e não apenas fidelidade. Porque uma pessoa leal é alguém que é fiel e dedicado, e sempre cumpre as suas promessas. Portanto não basta ser fiel, é preciso ser leal.

O marido é homem, e como todo homem ele é por natureza insensível, ele é prático, é racional, gosta de liderar, gosta de mandar, gosta de dar soluções aos problemas, de ser respeitado. O homem quer tomar as decisões da casa, quer ser ouvido, ser atendido em suas observações, quer ser respeitado, quer ser admirado, ele quer prover e proteger. O marido quer o respeito e a admiração da esposa e dos filhos.

Notem que o amor e o respeito caminham lado a lado pois são a base de uma relação abençoada por Deus. O apóstolo Paulo em sua carta aos Efésios no capítulo 5, verso 22 diz: “Vós, mulheres, sujeitai-vos a vosso marido, como ao Senhor.” A esposa de respeitar o seu marido da mesma forma como respeita ao Senhor seu Deus.

E no verso 25 o apóstolo Paulo também diz: “Vós, maridos, amai a vossa mulher, como também Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela.” Portanto o marido deve amar a sua esposa, deve se dedicar a ela, ter zelo e dar a sua vida por ela, como Cristo fez pela sua igreja.

Observe que amar e respeitar não é uma questão de escolha, é mandamento! Amar a esposa e respeitar o marido. Porque sem amor, ela reage sem respeito. Sem respeito, ele reage sem amor.

O maior temor dos homens é não serem respeitados, e o maior temor das mulheres é não serem amadas.

Portanto, entender que a necessidade do outro é diferente da sua, e procurar satisfazer essa necessidade, é o primeiro passo para a construção de um casamento duradouro.

A mulher falta ao respeito com seu marido quando altera a voz com ele, acusando-o, testando-o, quando o censura, quando o julga, quando assume a liderança, quando é demasiadamente independente e quando manipula a relação através do sexo.

Por sua vez o homem não demonstra amor para sua esposa não protegendo-a, agindo com indiferença, transmitindo insegurança, abusando da autoridade, sendo indelicado, deixando de afirmar seu amor, não dedicando a ela exclusividade.

Por fim, um casamento que dure por toda a vida se constrói com, entre outras coisas, reciprocidade de amor e respeito. Ao menos foi o que disse a minha avó.

 

Por: Zilfrank Antero/Paraíba 10

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