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TECNOLOGIA MICROSOFT

Como o Xbox Adaptive Controller ajuda os centros médicos a apoiar veteranos de guerra

Para membros militares da ativa, jogar videogame pode ajudar a liberar o estresse, criar camaradagem e oferecer familiaridade reconfortante em ambientes estrangeiros

Tecnologia e games

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11/06/2019 02h57
Por: Paraíba 10
Fonte: Paraíba 10, com Microsoft
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O terapeuta de recreação Jamie Kaplan, à esquerda, assiste o veterano do Exército dos EUA Mike Monthervil jogar
O terapeuta de recreação Jamie Kaplan, à esquerda, assiste o veterano do Exército dos EUA Mike Monthervil jogar

Para membros militares da ativa, jogar videogame pode ajudar a liberar o estresse, criar camaradagem e oferecer familiaridade reconfortante em ambientes estrangeiros. Para os veteranos que voltam do combate, os jogos podem reduzir o isolamento, renovar as conexões com outros membros da equipe e oferecer benefícios terapêuticos.

Reconhecendo o valor dos jogos para a comunidade militar, a Microsoft firmou parceria com o Departamento de Assuntos de Veteranos (VA) dos EUA para fornecer unidades do Xbox Adaptive Controller a 22 centros de reabilitação americanos.

Lançado em 2018, o Xbox Adaptive Controller foi criado para tornar o jogo acessível a pessoas com mobilidade limitada, permitindo que elas personalizem suas configurações e se conectem a dispositivos externos como botões, comutadores e joysticks que acomodam o seu jeito de jogar. O controle, que pode ser usado para jogar no Xbox One e em PCs com Windows 10, foi desenvolvido após extensas consultas a jogadores, defensores da acessibilidade e organizações sem fins lucrativos que trabalham com jogadores com mobilidade limitada, incluindo veteranos.

Ken Jones, fundador da Warfighter Engaged, uma organização sem fins lucrativos sediada em New Jersey que fornece dispositivos de jogos para veteranos feridos, diz que o Xbox Adaptive Controller torna o jogo acessível a uma gama mais ampla de veteranos.

“As pessoas só querem participar, e ele vai permitir que elas façam isso”, diz ele. “O controle permite que um número muito maior de pessoas seja incluído nos jogos.”

Jogar é uma atividade popular na comunidade militar, mas a navegação em um controle tradicional pode ser difícil ou impossível para os veteranos feridos. A incapacidade de jogar pode significar a perda de conexão com as comunidades dos veteranos e com uma atividade que foi parte significativa de suas vidas durante o serviço militar.

A parceria com a Microsoft visa dar aos veteranos com mobilidade limitada a oportunidade de jogar novamente, envolvê-los mais com sua reabilitação e aumentar a interação social, diz o dr. Leif Nelson, diretor de Programas Nacionais de Esportes para Veteranos e Eventos Especiais para o VA.

“Procuramos plataformas para os veteranos interagirem uns com os outros, e o Xbox Adaptive Controller pode ser o ponto de acesso para se envolver nesse mundo e na comunidade de jogos”, diz Nelson. “O jogo agora está em todo o mundo e, embora as pessoas tendam a considerá-lo isolante, estamos descobrindo que ele realmente tem o efeito oposto e pode aumentar as interações com outros veteranos e pessoas que não são veteranos. Acho que isso pode ser uma ferramenta no processo de reabilitação para alcançar muitos objetivos diferentes.”

“Uma das coisas que crianças e adultos com deficiência enfrentam é o estigma de ser diferentes. On-line, somos todos iguais.”

– Jamie Kaplan, terapeuta de recreação

Para Jeff Holguin, os jogos eram uma maneira de lidar com a depressão e o transtorno de estresse pós-traumático que enfrentou depois de ser dispensado da Guarda Costeira dos Estados Unidos em 2003, após uma lesão. Ele planejou uma carreira nas forças armadas, mas essa identidade desapareceu de repente. Enfrentando uma série de cirurgias e sentindo-se à deriva no mundo civil, Holguin isolou-se. Voltou-se para o jogo, uma atividade que gostava desde a infância, e encontrou a sensação de inclusão que estava desejando.

“Isso me deu uma saída, uma eficácia virtual dentro de um mundo em que eu não sentia ter um lugar”, diz Holguin. “Fiz muitas conexões sociais e amigos por meio desse espaço virtual.”

Holguin voltou à escola, estudando psicologia clínica com foco em trauma e TEPT (Transtorno de Estresse Pós-Traumático). Projetou pesquisas para a Microsoft em torno de dispositivos de realidade mista e resultados de aprendizado e também é um estagiário do doutorado em psicologia clínica no Northern Arizona VA Health Care System em Prescott, Arizona. Para Holguin, o jogo ofereceu um espaço onde ele poderia gradualmente se reintegrar à vida pós-militar.

“Foi um sentimento de pertencimento e uma sensação de segurança”, diz ele. “Quando você tem traumas e está deprimido, às vezes até um pouco de estímulo é demais e você simplesmente não tem recursos cognitivos ou emocionais para lidar com a interatividade bem-intencionada de outras pessoas.

“O jogo oferece o que poderíamos chamar de terapia de exposição, o que significa que você tem um pouco de socialização, mas, quando estiver pronto para desativá-lo, poderá desativá-lo”, diz Holguin. “O jogo forneceu um valor terapêutico significativo para mim.”

Xbox Adaptive Controller
O Xbox Adaptive Controller foi projetado para atender jogadores com deficiências variadas.

Jamie Kaplan, terapeuta de recreação do Hospital de Veteranos James A. Haley, em Tampa, na Flórida, vem usando jogos como terapia para seus pacientes – cerca de 25% dos quais tiveram lesões traumáticas na coluna – por sete anos.

Kaplan, ele mesmo um ávido jogador, diz que o jogo oferece uma série de benefícios terapêuticos. Manipular um controle e pressionar botões, por exemplo, pode ajudar nas habilidades motoras. As decisões tomadas ao longo de um jogo, desde a escolha de qual personagem jogar até quais movimentos devem ser feitos, requerem processamento cognitivo e processamento visual, diz ele.

“É bom para habilidades motoras, capacidade de tomada de decisão, processamento de informações, processamento cognitivo”, diz Kaplan. “Podemos atribuir vários valores terapêuticos aos jogos.”

Kaplan usou vários sistemas de jogos e consoles com pacientes antes de comprar um Xbox Adaptive Controller no ano passado. Ele gosta particularmente do recurso Copilot, que foi desenvolvido para o Xbox One e vincula dois controles como se fossem um, permitindo que os jogadores trabalhem em um jogo e compartilhem controles. O recurso rapidamente se tornou um dos mais populares do Xbox e foi incorporado ao Xbox Adaptive Controller.

Um de seus pacientes, diz Kaplan, foi capaz de brincar com seu irmão pela primeira vez em três anos usando o Copilot. “É incrível”, diz Kaplan. “Isso me permite, como terapeuta, compensar qualquer déficit que o paciente tenha na utilização de um controle regular ou do controle adaptativo.”

“Achamos que era uma oportunidade perfeita para unir nosso foco em jogos ao ótimo trabalho que o VA está fazendo.”

– Phil Spencer, vice-presidente executivo de jogos da Microsoft

Kaplan utiliza jogos que vão desde esportes e corrida até programas de realidade virtual (RV) que permitem que veteranos com mobilidade limitada experimentem atividades como mergulho, pesca ou caminhada. A realidade virtual é útil para ajudar os amputados a trabalhar em equilíbrio, diz Kaplan, e os programas de relaxamento e meditação guiados por RV podem ajudar os veteranos a reduzir o estresse e a ansiedade – e potencialmente reduzir a dependência de analgésicos, como os opióides.

“Vejo pacientes com dores crônicas todos os dias e lhes digo: ‘Eu não vou curar sua dor; nós só estamos esperando para enganar por um tempo”, diz ele. “Você está distraindo-os da dor, envolvendo-os em jogos.”

O jogo faz parte da vida de Mike Monthervil desde sua infância em Carrefour, Haiti, uma área suburbana a sudoeste de Porto Príncipe. A família de Monthervil era uma das únicas na vizinhança com um sistema de jogos, mas a eletricidade só ficava disponível em parte do dia. Quando as luzes voltavam, Monthervil recorda, “todo garoto batia à nossa porta para vir jogar”.

Para Monthervil, os jogos eram uma paixão que também proporcionava a fuga de um ambiente desafiador. “Era um lugar muito difícil de viver. As crianças não têm muito o que fazer lá”, diz ele. “O jogo tornou minha infância melhor. Levou muito estresse.

“Até hoje, eu falo com os caras com quem eu cresci, que ainda passam pela dificuldade de estar lá”, ele diz.

Mike Monthervil sorri.
Mike Monthervil, veterano do Exército dos EUA

Monthervil continuou jogando depois de se mudar para os Estados Unidos e, mais tarde, se alistar no exército americano. No Afeganistão, passou o tempo jogando com seus companheiros soldados entre as missões. Mas em julho de 2014, Monthervil sofreu uma grave lesão na medula espinhal depois de cair em uma vala durante uma sessão de treinamento, deixando-o incapaz de usar as pernas. Ele passou por uma cirurgia e ficou nove meses no Hospital de Veteranos James A. Haley. Lá ele conheceu Kaplan, que o ajudou a adaptar seu modo de jogar para acomodar as limitações de destreza causadas pelo acidente.

Kaplan deu a Monthervil um controle adaptativo vários anos atrás, mas era complicado e difícil de usar. Depois de obter um Xbox Adaptive Controller, Kaplan criou uma configuração personalizada para Monthervil, adicionando alguns botões. Monthervil recentemente conseguiu ter em casa um desses controles e diz que funciona melhor para ele do que qualquer dispositivo que tenha experimentado desde a lesão.

“De todas as coisas adaptativas que eu tentei, essa é de longe a melhor”, diz Monthervil, de 26 anos.

A colaboração da Xbox para ajudar veteranos faz parte de uma parceria estratégica entre a Microsoft e o Departamento de Assuntos de Veteranos dos EUA, que data de mais de 20 anos. Esforços recentes no âmbito da parceria se concentraram em equipar os funcionários do VA com tecnologias de produtividade e colaboração, migrar sistemas legados para a nuvem e usar análises avançadas em call centers para dar aos veteranos melhores informações para tomar decisões sobre seus benefícios e cuidados médicos.

“O jogo trouxe um valor terapêutico significativo para mim.”

– Jeff Holguin

Toni Townes-Whitley, presidente de U.S. Regulated Industries na Microsoft, diz que a colaboração com o Xbox Adaptive Controller é parte de um esforço mais amplo para melhorar o atendimento clínico e terapêutico de veteranos. Mas seu objetivo fundamental é aproveitar a tecnologia para melhorar a vida deles, diz ela.

“É um exemplo de uso da tecnologia como um meio para um fim muito mais significativo, que é um sentimento de pertencer, fazer parte de uma equipe, um senso de reconexão, um senso de família”, diz ela.

Phil Spencer, vice-presidente executivo de jogos da Microsoft, vê a colaboração como uma união ideal dos esforços da Microsoft para ampliar a diversidade e a inclusão em jogos com o vasto alcance da VA, que atende mais de 9 milhões de veteranos em todo o país em seu sistema de saúde.

“Todo mundo pode jogar, e nós realmente nos concentramos nisso como uma organização”, diz ele. “Com o VA como o maior fornecedor de serviços de saúde integrados nos EUA, achamos que era uma oportunidade perfeita para unir nosso foco em jogos e o ótimo trabalho que o VA está realizando.”

Jamie Kaplan
O terapeuta de recreação do VA, Jamie Kaplan, usa jogos como terapia para seus pacientes.

A Microsoft usará o feedback e os dados coletados pelos centros do VA para determinar a eficácia do Xbox Adaptive Controller em servir os veteranos e como o dispositivo pode ser melhorado daqui para a frente, diz Townes-Whitley. Nelson acredita que a iniciativa servirá não apenas aos jogadores atuais, mas também aos veteranos que não participaram antes de jogos.

“Se fizermos bem o nosso trabalho e formos capazes de expor os veteranos ao (Xbox Adaptive Controller) como uma possível ferramenta ou intervenção em seu processo de reabilitação, espero encontrar sucesso mesmo naquelas pessoas que nunca jogaram antes em suas vidas”, ele diz.

Um estudo de 2018 descobriu que o jogo pode aliviar o estresse dos veteranos, ajudá-los a lidar com o humor e fornecer uma maneira de se conectar. Kaplan também vê o Xbox Adaptive Controller como um equalizador para veteranos e outras pessoas com deficiências.

“Uma das maiores dificuldades que crianças e adultos com deficiência enfrentam é o estigma de ser diferente. On-line, somos todos iguais”, diz ele. “Eu poderia estar sentindo falta dos meus braços ou das minhas pernas e você não saberia. O jogo realmente ajuda a promover esse sentimento de normalidade e de pertencimento.

“Eu tenho muito respeito pelo Xbox preencher a necessidade de fazer algo que permita que militares e qualquer pessoa com deficiência possa jogar”, diz Kaplan.

“Acho ótimo que uma empresa tradicional como a Microsoft seja a primeira a dar o primeiro passo. Espero que encoraje outras empresas a fazer isso.”

Foto do topo: O terapeuta de recreação Jamie Kaplan, à esquerda, assiste o veterano do Exército dos EUA Mike Monthervil jogar. (Fotos: Jeff Young Photography)

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